Radiola #00 – Boas-vindas, o menu de hoje é música

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Se você pegou a referência ali de cima, vai gostar dessa publicação. Se não, vem comigo passear nessa maquete em 1:100 daquelas revistas de música que os jornalistas descolados faziam. Mas sem o café com gosto duvidoso de redação e com pouca ou nenhuma autoridade técnica, que aqui o negócio é emoção.

O plano é trazer reflexões que envolvam música. Música antiga, lançamento, que ninguém conhece, que ninguém aguenta mais ouvir… Tudo escrito por uma jornalista que se distrai facilmente, mesmo de fone de ouvido, porque vai prestar atenção no arranjo, pesquisar a história da letra, procurar de onde é o sample. Então pega uma ficha aí, que toda semana vai ter história envolvendo música. E a primeira é…

Do Winamp para a vida

Eu cresci numa casa bem musical. Meus pais, desde que me entendo por gente, sempre deixam alguma coisa tocando. Muito do meu repertório de MPB a forró e disco music vem daí. Até hoje, se bobear, tem uma Donna Summer tocando às 9 da manhã. Mas, enquanto a única criança da casa, eu tinha pouquíssimo poder de escolha sobre o que ia tocar na vitrola ou no micro system que veio depois.

Tudo mudou quando o nosso primeiro computador chegou em casa, com a famigerada internet discada. E o curso de informática veio junto, para aprender a surfar na rede. Foi aí que descobri que dava para fazer o meu próprio CD1 — ei, polícia, mixtape é uma delícia. Então, quando já era adolescente, levava para todo canto minha playlist. Primeiro, num CD regravável, para tocar no discman, e, mais tarde, no MP3 player.

Mão branca segurando um iPod Video preto. O equipamento é um pouco maior que a palma da mão e em formato retangular, com uma tela em cima, ocupando metade do espaço, e na parte de baixo tem um círculo de controle de faixas e um botão circular no meio.
Poucos equipamentos trabalharam tanto nos anos 2000 quanto esse bichinho aqui

Mas como descobria as músicas? Aí que vem o poder do comunismo compartilhamento. Depender da internet discada era ruim. Mesmo com a comunidade “Discografias”, no Orkut, o Trama Virtual e os softwares P2P (um beijo, eMule). Então, era preciso uma união em prol do entretenimento, e cada amigo comprava ou conseguia um CD para os outros copiarem.

E assim caiu no meu colo o “Chegou a hora de recomeçar”, do CPM 22. Eu ouvi tanto “Peter” — inicialmente do “A alguns quilômetros de lugar nenhum” e regravada depois —, que meu sonho de jovem manceba era tatuar um trecho da letra. Nunca tatuei. Mas foi aí que o bichinho do hardcore me pegou e ajudou a construir quem eu sou hoje: emo véia. Depois, talvez eu tenha passado uma década completamente obcecada pela banda? Sim. Mas vamos deixar baixo.

Ouça “Chegou a hora de recomeçar” na sua plataforma de streaming favorita.

Todos de pé, por favor, para a execução do hino

Por falar nisso…

Dei essa volta toda para dizer que o CPM 22 voltou. Sim! Em abril, eles lançaram “Enfrente”, com quatro músicas até agora: “Mágoas passadas”, “Dono da verdade”, “Alívio imediato” e “Covarde digital”.

E que coisa linda ver que uma banda que chegou a ser uma das maiores do país quase 20 anos atrás continua com a mesma essência, mas sem deixar de amadurecer. Tanto que “Alívio imediato” dá a ideia: “Mudei pra melhor, até que enfim”. Só com as quatro músicas lançadas, é um álbum que vai numa crescente até o soco em forma de hardcore, que é “Covarde digital”. A previsão de lançamento do álbum completo é para o início de maio. Dito isso, taca stream na lenda!

Ouça “Enfrente” na sua plataforma de streaming favorita.

Assista ao clipe de “Mágoas passadas”

Essa foi a estreia do pega uma ficha aí. Muito obrigada a você que chegou até aqui.

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Até a próxima semana!

1 Para quem é jovem demais ou não lembra desse passado (nem tão longínquo, por favor) de gravar CD em casa, você precisava dos arquivos de música no seu computador e de um software para “queimar” o disco — que não tinha nada de literal, mas o principal e talvez primeiro software para isso chamava “Nero”, aí já viu. Cabiam 80 minutos de áudio, o que podia ser bastante música, se você gostasse de punk rock. E, se o aparelho que ia tocarlesse arquivos em .mp3, aí era um sonho maravilhoso, porque podia gravar 700 MB de música. Em uma qualidade bem mais ou menos, cabia música para a semana toda e não dependia da duração delas.