Autor: Vanessa

  • Radiola #01 – Faz melhor, então: sobre versões que deram certo

    Radiola #01 – Faz melhor, então: sobre versões que deram certo

    Aqui, de cara, eu vou abrir o coração e confessar uma coisa que não me orgulho: tenho frescura preconceito com algumas intervenções musicais, tipo cover, releitura, remix, mashup. Isso ficou mais latente com o “Re: This Is Why”, do Paramore, lançado no ano passado. Apesar de ter umas que ficaram ótimas, como a releitura de “C’est Comme Ça” pela Wet Leg, que parece que foi a única banda que leu o briefing completo. Mas claramente, nem só de versão meia-boca vive o mundinho da música e tem umas que realmente saem melhores que a encomenda. Confere agora alguns artistas que conseguiram meter um “em você não brilha” com a música dos outros.

    Yes

    O que supera qualquer expectativa é a releitura de “Every Little Thing”, dos Beatles, pelo Yes. A composição da dupla Lennon-McCartney foi lançada no “Beatles for Sale”, em 1964, e o próprio Paul McCartney chegou a chamar de “enchimento”, explicando que ela não tinha o suficiente para virar single.

    Então, em 1969, o Yes fez uma versão mais progressiva e instrumental — com direito a interpolação de “Day Tripper”, também dos Beatles — e lançou em seu álbum homônimo, o primeiro de estúdio deles. Ou seja, fez melhor. Nada surpreendente para a banda que toca no encerramento da primeira temporada de “JoJo’s Bizarre Adventure”.

    Proibido desdenhar de música que não virou single. Sujeito a paulada

    Marisa Monte

    Eu conheci “De Noite na Cama” com a voz de Marisa Monte, no “Mais” (1991), e no meu coração era dela, jamais era cover. Aí ouvi com a voz de Erasmo Carlos, em “Carlos, Erasmo”, e como era de 1971, assumi que a música suingada era dele mesmo.

    Porém, como dizia Zagallo, aí, sim, fomos surpreendidos novamente. A composição é simplesmente de Caetano Veloso, que mandou direto do exílio na Inglaterra. Chique. Mas, para mim, sempre será de Marisa Monte, lamento.

    O QR Code ao lado do verbete “arte” manda para esse vídeo

    Foo Fighters

    Quando o Foo Fighters mudou o sax daquele riff famoso de “Baker Street”, será que eles sabiam que estavam colocando um molho no hit? Originalmente de Gerry Rafferty, a música foi lançada “City to City” (1978). Na versão do Foo Fighters, o sax de Raphael Ravenscroft foi substituído por uma guitarra, que olha, é uma lapada.

    E não teve só mudança de instrumento, a letra também foi alterada. Era: “He’s gonna give up the booze and the one night stands” (Ele vai desistir da bebida e das ficadas de uma noite), e mudou para: “He’s gonna give up the crack and the one night stands” (Ele vai desistir do crack e das ficadas de uma noite). Prioridades, né?

    A banda de Dave Grohl lançou o cover como faixa bônus na reedição de 2007, em comemoração aos 10 anos do “The Colour and the Shape”, que contava com versões de outras bandas também, como o Killing Joke.

    Planet Hemp

    No final de 2023, Pitty lançou “Admirável Chip Novo (Re)Ativado”, álbum com versões das músicas do “Admirável Chip Novo”, que completou 20 anos. Cada uma das 11 músicas foi gravada por artistas diferentes, de Sandy a MC Carol.

    Mas o que mais me chamou a atenção foi a própria “Admirável Chip Novo”, regravada pelo Planet Hemp. Mais pesada que a original, BNegão, Marcelo D2 e cia fizeram um hardcore de primeira. Fora que a letra é atemporal e combinou muito com o que os caras já faziam.

    Atenção à roda de pogo, por favor

    Faixa bônus

    Por último, trago um mashup que não passou nem perto de virar canônico. Isso porque junta Angra e Pabllo Vittar, “Nova Era” e “Vai Passar Mal”. Pois é! E ainda ficou mais legal do que as originais.

    Tudo começou com uma interação no Twitter (nada de X por aqui), em 2020, quando Pabllo postou: “ouvindo só as tristes do Angra hoje! Bom dia, filhas”, e o perfil do Angra comentou: “Confesso que esse tweet me nocauteou, me tonteou 🤘”. Pronto, bastou para que o canal “Heavy MessUp | By Andrews Viana” fizesse o feat dos sonhos se tornar real. Pelo menos em vídeo. Assim nasceu “Nova Era Sensual”, uma obra-prima.

    Para quem não me conhece, eu sou assim:

    Essa foi mais uma publicação do pega uma ficha aí. Muito obrigada a você que chegou até aqui.

    Até semana que vem!

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  • Radiola #00 – Boas-vindas, o menu de hoje é música

    Radiola #00 – Boas-vindas, o menu de hoje é música

    Se você pegou a referência ali de cima, vai gostar dessa publicação. Se não, vem comigo passear nessa maquete em 1:100 daquelas revistas de música que os jornalistas descolados faziam. Mas sem o café com gosto duvidoso de redação e com pouca ou nenhuma autoridade técnica, que aqui o negócio é emoção.

    O plano é trazer reflexões que envolvam música. Música antiga, lançamento, que ninguém conhece, que ninguém aguenta mais ouvir… Tudo escrito por uma jornalista que se distrai facilmente, mesmo de fone de ouvido, porque vai prestar atenção no arranjo, pesquisar a história da letra, procurar de onde é o sample. Então pega uma ficha aí, que toda semana vai ter história envolvendo música. E a primeira é…

    Do Winamp para a vida

    Eu cresci numa casa bem musical. Meus pais, desde que me entendo por gente, sempre deixam alguma coisa tocando. Muito do meu repertório de MPB a forró e disco music vem daí. Até hoje, se bobear, tem uma Donna Summer tocando às 9 da manhã. Mas, enquanto a única criança da casa, eu tinha pouquíssimo poder de escolha sobre o que ia tocar na vitrola ou no micro system que veio depois.

    Tudo mudou quando o nosso primeiro computador chegou em casa, com a famigerada internet discada. E o curso de informática veio junto, para aprender a surfar na rede. Foi aí que descobri que dava para fazer o meu próprio CD1 — ei, polícia, mixtape é uma delícia. Então, quando já era adolescente, levava para todo canto minha playlist. Primeiro, num CD regravável, para tocar no discman, e, mais tarde, no MP3 player.

    Mão branca segurando um iPod Video preto. O equipamento é um pouco maior que a palma da mão e em formato retangular, com uma tela em cima, ocupando metade do espaço, e na parte de baixo tem um círculo de controle de faixas e um botão circular no meio.
    Poucos equipamentos trabalharam tanto nos anos 2000 quanto esse bichinho aqui

    Mas como descobria as músicas? Aí que vem o poder do comunismo compartilhamento. Depender da internet discada era ruim. Mesmo com a comunidade “Discografias”, no Orkut, o Trama Virtual e os softwares P2P (um beijo, eMule). Então, era preciso uma união em prol do entretenimento, e cada amigo comprava ou conseguia um CD para os outros copiarem.

    E assim caiu no meu colo o “Chegou a hora de recomeçar”, do CPM 22. Eu ouvi tanto “Peter” — inicialmente do “A alguns quilômetros de lugar nenhum” e regravada depois —, que meu sonho de jovem manceba era tatuar um trecho da letra. Nunca tatuei. Mas foi aí que o bichinho do hardcore me pegou e ajudou a construir quem eu sou hoje: emo véia. Depois, talvez eu tenha passado uma década completamente obcecada pela banda? Sim. Mas vamos deixar baixo.

    Ouça “Chegou a hora de recomeçar” na sua plataforma de streaming favorita.

    Todos de pé, por favor, para a execução do hino

    Por falar nisso…

    Dei essa volta toda para dizer que o CPM 22 voltou. Sim! Em abril, eles lançaram “Enfrente”, com quatro músicas até agora: “Mágoas passadas”, “Dono da verdade”, “Alívio imediato” e “Covarde digital”.

    E que coisa linda ver que uma banda que chegou a ser uma das maiores do país quase 20 anos atrás continua com a mesma essência, mas sem deixar de amadurecer. Tanto que “Alívio imediato” dá a ideia: “Mudei pra melhor, até que enfim”. Só com as quatro músicas lançadas, é um álbum que vai numa crescente até o soco em forma de hardcore, que é “Covarde digital”. A previsão de lançamento do álbum completo é para o início de maio. Dito isso, taca stream na lenda!

    Ouça “Enfrente” na sua plataforma de streaming favorita.

    Assista ao clipe de “Mágoas passadas”

    Essa foi a estreia do pega uma ficha aí. Muito obrigada a você que chegou até aqui.

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    Até a próxima semana!

    1 Para quem é jovem demais ou não lembra desse passado (nem tão longínquo, por favor) de gravar CD em casa, você precisava dos arquivos de música no seu computador e de um software para “queimar” o disco — que não tinha nada de literal, mas o principal e talvez primeiro software para isso chamava “Nero”, aí já viu. Cabiam 80 minutos de áudio, o que podia ser bastante música, se você gostasse de punk rock. E, se o aparelho que ia tocarlesse arquivos em .mp3, aí era um sonho maravilhoso, porque podia gravar 700 MB de música. Em uma qualidade bem mais ou menos, cabia música para a semana toda e não dependia da duração delas.